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Diga-me qual razão querido amigo
sentir a perda que nos impuseram
porque quiseram acabar contigo.

Lançaram-te como um perdido
do trânsito já quedado em transe,
em tua carcaça não viram o abrigo.

E o plácido trilhar agora não esconde
o que eles fizeram também comigo,
mataram meu direito... ir de bonde!

Santos/SP 20/02/09





 

Eu iria de bonde
Para qualquer lugar
Não importaria aonde
Ele iria, como sempre, me embalar

Sentiria o ar em movimento
Refrescando corpo e alma
E viveria, ainda que por um momento,
Uma saudade doce e calma

A paisagem passaria faceira
Como a dizer com certa vaidade:
- A mim, preservaram por inteiro

E naquele ritmo me levaria o saudoso bonde
A ouvir inesquecíveis sons que comporiam uma ode
Àquele que, servindo, encantou do rico ao pobre.

São Paulo, 22.02.09

 

 

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