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Minha melhor
amiga
Maria
Luiza Bonini
Em um dia
qualquer, que já
vai longe, ela
surgiu, sem
pedir licença,
em minha vida.
Era tão
pequenina, necessitando de
cuidados
maternais. Aqueles que só
uma mãe pode
dar.
Ao contrário de
qualquer bebê,
ela de nada
reclamava.
Comia, dormia, e
às vezes
brincava.
Poderia ser uma
bolinha, um
paninho ou até
um chumaço de
papel. Qualquer
coisa a
alegrava.
Como era linda!
Daria para ser
confundida com
um brinquedo de
pelúcia, tal a
graça de sua
imagem.
Resultante de um
lindo romance de
amor entre um
poodle branco e
uma charmosa
pequinês, era a
mais linda de
toda a ninhada.
Sua pelagem
tinha uma cor
suave, pendendo
para o rosado, que em tons
se misturavam ,
gerando uma cor champagne.
E , foi assim,
que a ela
batizamos , com
o nome de
Champagne.
Crescia alegre e
carinhosa, encantando a
todos da casa.
Vivia para a
alegria... Era a
doçura de nossa
vida.
Quando ficava
triste, sem
dúvida, era
porque captava a
tristeza que ali
passava.
A sua
inteligência, a
qualquer ser
humano, era
comparável.
Tudo que se
ensinava, ela
aprendia. E em
recíproco,
quanto ela nos
ensinava!
Passavam-se os
anos e Champagne, em
todos os
momentos, nos
acompanhava e
de tudo
participava...
A vida tem seu
tempo e o de Champagne
se esgotava.
Todos os
esforços
possíveis, foram
envidados, para
que ela , por
mais tempo, aqui
ficasse.
Viver sem ela?
Impossível! Não
daria para
aceitar.
Dezessete anos,
já completava,
quando seu mal ,
a cada dia, se
agravava.
O medo de
perdê-la não me
deixava ver que,
em gestos de
despedida, ela,
dolorosamente
nos deixava.
E, naquela manhã
de sábado,
depois de muita
agonia e sofrimento. Champagne
foi levada.
Eutanásia... gesto de amor... sofrimento
interrompido...
Vesti seu melhor
vestido, pois
por ser uma
velhinha,
precisava,
faceira, estar
sempre arrumada.
Queria ela bem
linda, para a
chegada em sua
eterna morada.
A derradeira
imagem que me
deixou, vestida
para a longa
viagem, quando
levei- a ao
colo, até a
janela, onde
havia um raio de
sol...
Fitou-me, com
ternura... Como
quem quisesse
dizer - valeu,
mas agora, tenho
que ir... Tudo
acabou...
Em seguida,
ela com sua
vidinha a
definhar ainda
teve forças,
para na
despedida, me
beijar.
Foi-se minha
melhor amiga.
Foi-se o mais
sincero e puro
amor.
Descrever não
posso, a minha
dor...
De Champagne,
guardo até hoje
as lembranças e
os ensinamentos
que deixou.
Amor
incondicional...
Alegria
vital... Amar
sempre...
Esquecendo todo
o mal..
Jamais seu lugar
foi ou será
substituído.
Champagne foi
única. Um anjo
que passou em
nossas vidas, e, só marcas
de amor e de
carinho, nos
deixou.
Saudades!
Muitas Saudades!
Saudades de
minha melhor
amiga.
Saudades daquele
serzinho lindo,
que, sem jamais
querer nada em
troca, a mim
dedicou o seu
mais sincero e
puro amor .
SP., 22.nov.07
Maria Luiza
Bonini
 
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