O ANARQUISTA!
José Geraldo Martinez
 

 

Cara amiga e poetisa:
A poesia nos cala na alma,
neste tempo por demais obsoleto!
Tu te prendes às regras, eu anarquista...
Não obedeço aos sonetos!

Muito embora eu saiba fazê-los...
De certa forma com pouco zelo,
trancafiando a imaginação!
Sinto-me neles qual prisioneiro...
Poesia sem emoção!

Falar de amores...
É tão grande a complexidade!
Falar de minhas dores?
É tão infinita a saudade...

Na vida há tantas regras...
Cansei de cumpri-las, por todo tempo!
Dizem que sou contemporâneo,
com este meu comportamento...

Sextilhas, sonetos, poetrix, quarteto...
Confesso! São minhas algemas!
Um lacre para os meus dedos,
chicote aos meus poemas...

Assim, excluo-me de ser um poeta,
ainda que me tenham proclamado!
Digamos, sou das regras, o que não presta...
Indisciplinado!

Odiava gramática!
Química e Matemática de qualquer maneira!
Adorava Geografia...
Talvez pela topografia da Mantiqueira!

Estradas retas?
Davam-me tédio, odiava!
As curvas traziam o desconhecido,
na paisagem que à frente brotava!

Pontuação é um problema!
Ainda quando se fala da infância...
São muros aos meus poemas,
as vírgulas e sua importância!

Os obstáculos a escalá-los...
Sem escada de ajuda,
guiado apenas por Deus!
No compasso fazia um mundo,
sem limites aos sonhos meus...

Trouxe tudo comigo, vícios de todo um tempo!
Uma poesia sem compromisso:
De métricas, regras, vírgulas e acentos...

Apenas para quem quiser, pois, declamar
ou lê-las nas horas vadias!
Por certo, meus versos irão ultrapassar
as métricas com minha rebeldia...

Só que assim, na ilusão de mim,
com sonhos sem fins...
Tornam-se poesias!

 

 

 

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